Bem
aventuranças
Da noite
Itinerário cultural e espiritual
de outubro de 2024 a julho de 2025
Uma proposta do
SECRETARIADO Diocesano dA PASTORAL DA CULTURA
Princípio
e fim
Padre Nuno Santos
Cada viagem é um arriscar-se e um confiar-se para além do imediato e do já percorrido. Mesmo quando regressamos ao mesmo local, já muita coisa mudou, a começar por cada um de nós. Cada começo é um princípio...
Inscreve-te aqui e reserva o teu passaporte (o número de passaportes é
limitado e será dada preferência à ordem de inscrição).
A viagem começa dia 4 de outubro no Seminário Maior de Coimbra às 21h15.
O passaporte (edição limitada) tem um custo de 5 euros e pode ser levantando
a partir de 27 de setembro no Seminário Maior de Coimbra:
Segunda a sexta: 9h00 - 20h00
Sábado: 09h00 - 19h00
Domingo: Missa das 10h30
4 de outubro
16 a 23 de novembro
13 de dezembro
10 de janeiro
1 a 7 de fevereiro
1 a 7 de março
11 de abril
2 a 9 de maio
6 de junho
11 de julho
DE PROFUNDIS | criptopórtico do museu nacional de machado de castro
NOITE (…) ONDE SE ACOLHE TUDO | Briosa | brasileira | nicola | Santa Cruz
felizmente há luar! | Teatro académico de gil vicente | escola da Noite | Oficina Municipal do teatro
faz-te ao largo! [viagem em 3 atos] | Seminário maior de Coimbra
MUSEU DA NOITE | MOSTEIRO DE SANTA CLARA-A-NOVA | MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE COIMBRA
ANJOS E DEMÓNIOS | MOSTEIRO DE Santa Clara-A-VELHA
AURORA | cAPELA E PÁTIO DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA
semana cultural da universidade de coimbra
Tatuagem da cidade | largo de s. Salvador
A NOITE TEM MIL olhos | casa do cinema de coimbra
Et nox illuminabitur Momento musical de canto e órgão Com Susana Aires e Rui César Vilão Notas sobre o programa Nesta introdução musical, às “Bem-aventuranças da noite”, propostas pelo Secretariado Diocesano da Pastoral da Cultura, toma-se como título um excerto do salmo 139(138), em que o salmista declara que, para Deus, a noite pode brilhar como o dia. Tal requer, contudo, que se abram as janelas do espírito para que a Luz possa entrar. Neste pequeno momento musical procuramos ilustrar um pouco deste percurso, começando nas noites da existência, que vão sendo espiritualmente iluminadas até ao ponto em que, olhando para o Alto, se reconhece que a escuridão é como a luz. Notas sobre o órgão O órgão da Capela do Seminário Maior de Coimbra é uma obra de João Fontana de Maqueixa, datado de 1762 e restaurado em 2003 pelo organeiro Dinarte Machado. Trata-se de um órgão ibérico composto de 30 meios-registos. O órgão ibérico possui em geral apenas um teclado, não dispondo da pedaleira desenvolvida presente nos órgãos do Norte da Europa. A diversidade tímbrica é obtida pela divisão do teclado em duas metades, munidas do seu conjunto próprio de registos (os meios-registos). Notas curriculares Rui César Vilão concluiu os Cursos Complementares de Piano (1997) e de Órgão (2008) no Conservatório de Música de Coimbra, nas classes da Profª Isilda Margarida e José Carlos Oliveira, respectivamente. Colabora desde 2001 nas classes de Piano/Órgão da Escola Diocesana de Música Sacra de Coimbra; presta também colaboração regular como organista nos serviços litúrgicos da Igreja de S. José em Coimbra e do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. É membro fundador da Capela Gregoriana Psalterium. Paralelamente, desempenha as funções de professor do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, onde foi responsável pela criação da disciplina de Física da Música. Susana Aires concluiu o Curso de Canto no Conservatório de Música de Coimbra em 2007, na classe da Profª Joaquina Ly. Participou em cursos de aperfeiçoamento (“master-classes”) orientadas pelos professores Ana Ester Neves, Claire Vangelist, António Salgado, Vianney da Cruz e Isabel Alcobia. É membro do coro feminino Vox Aetherea e do Coro Litúrgico da Paróquia de S. José em Coimbra. Paralelamente, desempenha as funções de professora da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
Os temas noturnos, nas diversas culturas, colocam-se geralmente sob o signo da ambivalência. Ao mesmo tempo esperada e temida, tranquilizadora e inquietante, a Noite é vivida pelo ser humano como o tempo do repouso ou da insónia, do sonho ou do pesadelo, da paz ou do crime. Mas o que significa viver a noite? Como viver cristãmente a noite urbana e ser sensível ao que ela tem de luminoso e de compatível com as luzes do Evangelho? Abramos as janelas do espírito para deixar entrar a Luz! Pois a noite não é o outro lado do dia, mas o lugar onde a vida, pelo jogo das sombras, muda de cor e de intensidade e, acolhendo o recolhimento, a meditação e a esperança, prepara a conversão e a salvação!
21h15 | Encontro na Biblioteca Nova | Igreja do Seminário | Baloiço do Seminário
4 de outubro
faz-te ao largo! [viagem em 3 atos]
I. NOX… Sarabande (da Suite VII em sol menor) Georg Friedrich Händel (1685-1759) Seufzer, Tränen (da Cantata Ich hatte viel Bekümmernis BWV 21) Johann Sebastian Bach (1685 – 1750) II…sicut dies… Tento do 4º tom Heliodoro de Paiva (c. 1500-1552) Versos e cantochão do Quarto Tom para se cantar ao órgão (das Flores de Música pera o instrumento de tecla e harpa) Manuel Rodrigues Coelho (c. 1555 - 1635) III… iluminabitur Verso em Sol maior, (Poco alegretto) (das 7 Pièces en sol majeur et sol mineur pour le temps de Nöel, nº 1) César Franck (1822-1890) Ave Maria César Franck
Textos e traduções Seufzer, Tränen, Kummer, Not Ängstliches Sehnen, Furcht und Tod nagen mein beklemmtes Herz, ich empfinde Jammer, Schmerz. Suspiros, lágrimas, tristezas, aflições, expectativas ansiosas, medo e morte, corroem o meu coração aflito, sinto a desgraça e a dor.
Versos do Salmo 139(138), 11-12 Et dixi: Forsitan tenebrae conculcabunt me; et nox illuminatio mea in deliciis meis. Quia tenebrae non obscurabuntur a te, et nox sicut dies illuminabitur: sicut tenebrae ejus, ita et lumen ejus. Se pedir à escuridão para me esconder ou à luz para ser noite à minha volta Para ti a escuridão não é escura e a noite brilhará como o dia; a escuridão é como a luz.
folha de sala
CASA DO CINEMA DE COIMBRA
16 a 23 novembro
A NOITE TEM MIL OLHOS
Francis William Bourdillon, poeta inglês nascido no séc. XIX, escreveu que “A noite tem mil olhos / E o dia apenas um”. O verso que dá nome ao poema que assim começa inspirou também o título de um filme de 1948. Em “A noite tem mil olhos”, de John Farrow, um falso mentalista adquire poderes sobrenaturais de facto e, com o susto, abandona a vida de palco. O cinema pode considerar-se uma espécie de arte total onde texto, imagem, banda sonora, representação nos abrem portas de outras vidas, possíveis ou impossíveis. Ou projetam a nossa vida num grande ecrã, expondo o que não ousamos nem para nós próprios. O “escurinho do cinema” é uma porta aberta para dentro de nós. A proposta é assistir a uma das sessões do festival “Caminhos do Cinema Português”.
programa do Festival
18h30 | CRIPTOPÓRTICO DO MUSEU NACIONAL DE MACHADO DE CASTRO
Das profundezas chamo por ti e na escuridão vejo chegar a tua Luz! Desço ao fundo de mim e do mundo para escutar o apelo do divino, deixo a superfície das coisas para que o negrume da Noite em mim penetre e concentre a minha oração. Rasgo com os olhos o reino das trevas e vislumbro, por entre a penumbra das sombras imóveis, a cintilação do invisível. E a minha contemplação é uma ânsia serena! Em meditação me imobilizo, neste espaço subterrâneo que me acolhe, para ver desfilar o tempo de homens e mulheres que antes de mim aqui foram e depois de mim virão, em unidade. Neste lugar sagrado que acolhe o nosso recolhimento e a nossa prece, aguardamos a revelação!
13 de dezembro
DE PROFUNDIS
17H00 - 20H00 | BRIOSA | BRASILEIRA | NICOLA | SANTA CRUZ
Ao longo dos tempos, a noite e as estrelas foram deixadas aos poetas que exaltaram e cantaram o seu mistério. À margem da claridade ofuscante do dia, a Noite do Poeta rejubila, abre espaços infinitos, privilegia o primitivo e o autêntico, domina o Caos, acolhe o Amor, protege o que está além do Visível. Nela o poeta, mágico ou anjo, busca força e energia, aceitando o risco do sonho e da loucura. Pela palavra, ele afronta a aparente negatividade da noite, dela se alimentando para a converter em exaltação criativa. A noite, “manto do nada / onde se acolhe tudo” (Miguel Torga), “eis como ela se instala no coração da história” (Almeida Faria) e, “antiquíssima” […] silenciosa e extática”(Álvaro de Campos), vem envolver o coração do poeta!
10 de janeiro
NOITE (…) ONDE SE ACOLHE TUDO
TEATRO ACADÉMICO DE GIL VICENTE | TEATRO DA CERCA DE S. BERNARDO | OFICINA MUNICIPAL DE TEATRO
1 a 7 de fevereiro
felizmente há luar!
A obra de Luís de Sttau Monteiro “Felizmente há luar!” foi adaptada ao teatro e censurada durante o Estado Novo, apesar de ter valido ao autor o Grande Prémio da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses. Foi encenada pela primeira vez em Paris em 1969 e em Portugal só em 1975. Esteve dez anos em cena (entre 2006 e 2016) no Teatro Cinearte, em Lisboa. As luzes da ribalta, como o luar, mostram o que não se vê à vista desarmada. Ir ao teatro, a um dos vários palcos da cidade, é atrever-se. AtreVER-se. A vida encenada pode ser espelho, do espectador que está na sala ou de outras vidas das quais assim também nos aproximamos.
SEMANA CULTURAL DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA
A Semana Cultural da Universidade de Coimbra (UC) tem sido ocasião, desde há quase três décadas, para conhecer a atividade da academia além da dimensão estritamente científica. A Universidade sugere anualmente um tema para pensar e imaginar, lançando uma luz nova. Em 2025, propõe-se celebrar três efemérides: 500 anos da morte de Camões, 700 anos da morte de D. Dinis e 735 anos da fundação da Universidade confluem na Poesia que dá o mote para esta semana. De entre a vasta oferta que o programa tem para oferecer, escolher uma e participar na cultura da UC é a proposta para a semana em que se celebra o aniversário da Universidade
1 a 7 de MARÇO
POESIA
21h15 | LARGO DE S. SALVADOR
A cidade é, na Noite, o lugar onde se conta uma (outra) história, numa encenação simbólica de novas formas de cultura. Sendo de todos, a rua é investida por artistas anónimos que dela fazem palco aberto, em gesto de apropriação. Este gesto é comparável ao trabalho do sonho: durante a noite, enquanto a cidade dorme e se atenua a vigilância da consciência, surge uma vida paralela, sem interditos, em desafio da ordem e da autoridade. A libertação pulsional de uma violência simbólica reside no ato de uma mão que desenha o corpo da cidade, nela tatuando uma palavra transgressiva, e vive ainda em lugares, como as “Repúblicas” que perpetuam a tradição de uma liberdade, na margem. No gesto noturno que destrói e inventa vive também a criatividade!
11 de abril
a tatuagem da cidade
MOSTEIRO DE SANTA CLARA-A-NOVA | MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE COIMBRA
O que nos aconteceria se experimentássemos olhar de outra forma, com olhar inocente, livre de preconceitos, para o que achamos que já conhecemos ou até para o que achamos que não queremos conhecer? A noite exige tempo de adaptação do olhar. Já fizemos seguramente a experiência de não ver nada no escuro mas, se fixarmos o olhar e não fugirmos imediatamente da escuridão, percebemos que a visão se adapta e começamos a vislumbrar mais do que sombras. Na autobiografia de Santo Inácio de Loiola, conta-se como, em determinado momento, junto a um rio, Inácio sentiu “uma ilustração tão grande, que todas as coisas lhe pareciam novas”. É essa disposição de olhar para ver com um entendimento diferente do que existia antes que buscamos.
2 A 9 DE MAIO
O MUSEU DA NOITE
21H15 | MOSTEIRO DE SANTA CLARA-A-VELHA
Conhecemos o fascínio que a Noite exerce nos estados-limite da consciência, no naufrágio das certezas, na deriva das palavras e dos atos portadores de sentido. Descobrirá jamais a ciência o segredo do sono e dos sonhos, a desrazão da loucura? Conseguirão a fisiologia e a psicologia elucidar este enigma do ser onde a alma encontra ainda um (último) refúgio? Ao esperamos por esta racionalização completa e definitiva, imploremos o bom repouso da noite: Ó noite, vem trazer à terra o calmo encantamento do teu mistério! A noite moderna e citadina está muitas vezes entregue aos espetros da angústia e da má consciência, às forças do mal psíquico. Favorecer o reencontro da sua sabedoria perdida e da sua antiga virtude de cura, tal poderá ser a última bem-aventurança!
6 DE JUNHO
ANJOS E DEMÓNIOS
21H15 | CAPELA E PÁTIO DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA
A Aurora é tema constante na pintura, na música, na literatura, na poesia, na espiritualidade. Enquanto fonte de inspiração, Aurora declina-se de muitos modos. É nome de mulher e pertença do firmamento. Põe fim à vigília silenciosa e dá voz ao canto da cotovia. Através dela o fino contorno da linha do horizonte sucede à escuridão. Sendo breve no tempo, a Aurora renasce num devir contínuo, entre a noite que se dissipa e o anúncio do sol. O percurso chega ao fim. Como a metáfora antecipa, que o fim seja nova criação, contemplando as estrelas em celebração de uma Luz que continuamente nos renova e fortifica.
11 DE JULHO
aurora [fim da viagem]
SOBRE NÓS
O Secretariado Diocesano da Pastoral da Cultura (SDPC), da Diocese de Coimbra, quer ser um estímulo no reforço do diálogo entre a Cultura e a espiritualidade. Um organismo da pastoral que procura ser mais um contributo para esta relação que nos provoca e nos habita. Escrever o dia e a noite com uma tinta permanente, um sentido que fica quando tudo passa, é desafio sempre por alcançar. Mas a vida só é plena quando se reconhece sagrada e se deixa tocar pela eternidade. Porque, como nos recorda o livro do Eclesiastes – ‘Deus colocou a eternidade no coração dos homens e das mulheres’ (Cf. Ecl. 3,11b). Nesta casa e nas iniciativas promovidas pelo SDPC há espaço para o diálogo entre crentes e não crentes, entre fé e razão, entre a cultura erudita e outras expressões culturais. Queremos que a visão cristã seja um contributo para valorizar a transcendência da vida e do existir, numa sociedade cada vez mais plural.